Fuzuê no Galinheiro - Peça Teatral para Páscoa

Já faz muito tempo, quado ainda morava em Santa Maria, recebi um coletânea de livros pedagógicos e em um deles veio um CD com músicas e histórias especiais, próprias pra trabalhar peças teatrais com as crianças.
Trabalhei com ela algumas vezes em sala de aula e sempre foi muito divertido.

Agora, na escola onde estou trabalhando, sugeri as professoras do meu grupo de educação infantil, encenarmos para as crianças na Páscoa deste ano. Elas toparam \ õ /

Então fui procurar o texto já digitado e não encontrei pra copiar, por esse motivo tive que digitá-lo nos seus mínimos detalhes.

e como super boazinha, resolvi compartilhar com todo mundo para que ao procurarem, achem o texto já pronto. Afinal, se eu posso facilitar, porque irei dificultar?! Lembrando sempre que Gentileza gera Gentileza!

Este CD é parte integrante da Coleção Bem-te-li - Língua Portuguesa, de Angelina Bragança e Isabella Carpanela, Ed. FTD.

Fuzuê no galinheiro
Teatro, Páscoa, Textos, Histórias, Galinha, Coelhos, Música, Escola, Atividades Pedagógicas, Bagé, CFES,
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Ato I

Narrador -  O galinheiro do Sítio Primavera era grande e todo cercado de tela. Na parte de fora, várias laranjeiras faziam sombra, deixando a água dos bebedouros sempre fresquinha. A casinha onde ficavam os poleiros e os ninhos era feita de madeira com telhado de telhas de barro, que tornava o ambiente aconchegante.
Costumava ser um lugar tranquilo. Mas essa tranquilidade foi abalada no dia em que Caipira encontrou no meio dos sacos de ração, alguns jornais velhos. Um deles mostrava um coelho fazendo propaganda de ovos de Páscoa. Ah! Ficaram inconformadas.

Caipira – _ Vejam este anúncio! Só dá coelho na Páscoa!

Narrador – As galinhas ficaram agitadas. Andavam de lado para o outro, soltando penachos pelo ar. Cacarejavam assim:

Galinhas –
Có, có, có, có. Có, có, có, có.
Justiça para as galinhas!
Estamos vivendo um drama.
Nós botamos ovo e o coelho leva a fama!
Cocococodé! Cocococodé!
Queremos mais respeito!
Desse jeito não dá pé!
Cocococodé! Cocococodé!
Queremos mais respeito!
Desse jeito não dá pé!

Carijó – _ E as músicas que costumam cantar nessa época, vocês já ouviram:
Coelhinho da Páscoa,
Que trazes pra mim?
Um ovo, dois ovos, três ovos, assim.
_ Ouviram? Ovos! Ovos! Ah! E Coelho bota ovo?

Galinhas –
Cocococodé! Cocococodé!
Queremos mais respeito!
Desse jeito não dá pé!

Carijó - _ Ficaria mais justo se fosse assim:
Galinha da Páscoa,
Que trazes pra mim? (Aí, sim!)
Um ovo, dois ovos, três ovos, assim.

Narrador – D’Angola, que estava comendo milho na gamela, também reclamou:

D’Angola –  _ Tô fraca! Tô fraca! Tô fraca! E quando falam da gente... ouçam:
A galinha magricela.
E bota um, e bota dois e bota três.
A galinha magricela...
_ Pode?!

Legorne - _ Galinha Magricela?! Hã! Vou para o bebedouro. Preciso tomar um pouco de água para me acalmar.

Carijó – _ Tenho algo a propor, companheiras. Ouçam! Vamos fazer greve! Vamos parar de botar ovos!

Galinhas – _ Concordamos! Vamos parar de botar ovos! É isso mesmo!

Caipira – _ Só assim irão nos valorizar. Chega de exploração!

Polaca - _ Não sei, não... Parar de botar ovos... Isso vai dar um quiproquó...

Narrador – Resolvidas, as galinhas passaram o dia no maior tititi, quero dizer, no maior cococó.

Ato II

Narrador – No final da tarde, as galinhas foram ciscar no terreiro, perto das laranjeiras. Algumas bicavam laranjas maduras caídas no chão, outras, pequenos grãos. Dona Filó, a cozinheira, entrou no galinheiro para recolher os ovos. Passou de ninho em ninho, mas ovo, nem sinal. Só o que viu foi muita palha espalhada. Pegou a vassoura que estava encostada num canto e, resmungando, varreu o cimento.

Dona Filó – Ué! O que deu nessas galinhas? O que está acontecendo por aqui?
Está chegando a Páscoa.
Preciso de ingredientes pra fazer meus quitutes e deixar todos contentes.
Procurei em todos os ninhos, mas ovo que é bom, nada!
O que há com essas galinhas? Hum!
Já estou preocupada.
Preocupada, é claro que sim.
Se não tiver os ovos, o que será de mim?

Narrador – Lá do terreiro, as galinhas ouviram tudo.

Carijó – _Ouviram isso? Agora, vão nos dar valor!

Narrador – O galo não estava se sentindo muito à vontade com essa situação. Ele não fora consultado sobre a greve. Procurou se consolar com seus amigos.

Galo
Cococoricó! Todo mundo sabe, sou o chefe do terreiro, sou o chefe do terreiro.
Se queriam entrar em greve, se queriam entrar em greve.
Teriam que me avisar primeiro.
Cococoricó! Todo mundo sabe, sou o chefe do terreiro, sou o chefe do terreiro.
Se queriam entrar em greve, se queriam entrar em greve.
Teriam que me avisar primeiro.
Galo, Pato e Peru
Cococoricó!
Glu! Glu! Glu!
Quá! Quá! Quá!
Cococoricó!
Glu! Glu! Glu!
Quá! Quá! Quá!
Galo –         
Greve no galinheiro.
Que história mais maluca!
Acho que essas galinhas ficaram lelé da cuca.
Greve no galinheiro.
Que história mais maluca!
Acho que essas galinhas ficaram lelé da cuca.
Galo, Pato e Peru
Cococoricó!
Glu! Glu! Glu!
Quá! Quá! Quá!
Cococoricó!
Glu! Glu! Glu!
Quá! Quá! Quá!
Galo –         
Greve no galinheiro.
Que história mais maluca!
Acho que essas galinhas ficaram lelé da cuca.
Greve no galinheiro.
Que história mais maluca!
Acho que essas galinhas ficaram lelé da cuca.

Narrador – Ouvindo isso, as galinhas não deixaram por menos.

Galinhas
Era só o que faltava, pedir-lhe opinião.
Galo nem bota ovo...
Essa não! Essa não!
Era só o que faltava, pedir-lhe opinião.
Galo nem bota ovo...
Essa não! Essa não!
Cocococodé! Cocococodé!
Queremos mais respeito!
Desse jeito não dá pé!
Cocococodé! Cocococodé!
Queremos mais respeito!
Desse jeito não dá pé!
Polaca – _ Isso vai dar um quiproquó...

Ato III

NarradorDona Filó voltou no dia seguinte. Procurou no ninho da Carijó, nada! No ninho da Caipira, nada! Até o ninho da Garnisé estava vazio.

Dona Filó – _ Nossa Senhora! Sem ovos, como é que eu vou fazer?
Bombinhas recheadas, tortinhas carameladas.
Muito doce pra criançada!
Em fatias ou às colheradas,
Deixam as boquinhas bem lambuzadas.
Deixam as boquinhas bem lambuzadas.
São quitutes de todo jeito:
Bolos, pudins, empadinhas.
Bolos, pudins, empadinhas.
Mas sem ovos, nada feito.
Será que deu preguiça nas galinhas?
Não tem ovo nem pra broa.
Só faltam dois dias pra Páscoa.
Não tem ovo nem pra broa.
Vou correndo avisar a patroa.
Polaca – _ Isso vai dar um quiproquó...

Carijó – _ Cale esse bico, Polaca!

Polaca – _ É que eu não estou conseguindo segurar...
Có, có, có! Có, có, có!
Isso é que é sofrimento.
Estou sentindo que vou botar um ovo a qualquer momento.
Có, có, có! Có, có, có!
Acho que vai escorregar...

GalinhasPois trate de segurar!!

Ato IV

Narrador – A notícia da greve se espalhou e chegou às enormes orelhas do coelho Joca, que resolveu ver de perto o que estava acontecendo.

Legorne – _ Olhem só quem está chegando! É o folgado do coelho: _ Tem olhos vermelhos e pêlo branquinho.

CaipiraHunf! Às vezes cinzento ou até malhadinho.

LegorneNa Páscoa fica importante e por todos é lembrado. Vocês acham isso certo?

GalinhasNão achamos! Está errado!

Legorne De ovo, não entende nada, mas, agora, só se fala dele. Isso é uma injustiça!

GalinhasVamos falar com ele!

Joca – _ O que está acontecendo? Ouvi umas coisas que custei a acreditar. Acho que vocês estão mal informadas.

Carijó – _ Mal informadas? Pois, sim, senhor Símbolo da Páscoa!

Joca – _ Sou apenas um dos Símbolos. Represento a fertilidade. Afinal, nós coelhos nos reproduzimos em grande quantidade. Vocês já viram quantos filhotinhos nascem de uma só coelha?

Galinhas – Hum...

Joca – _ E o ovo é o outro símbolo da vida. Isso, porque deles nascem muitos bichinhos.

Galinhas – Hum...

Joca – _ E tem mais. Há muito tempo e muitos anos, na Páscoa, costumava-se presentear as pessoas com ovos de galinha cozidos e pintados com tintas coloridas.

Carijó – _ Quer dizer que, antigamente, os ovos de Páscoa eram de verdade?

Joca – _ Isso mesmo! Com o passar dos anos é que foram substituídos por ovos de chocolate, que, junto com as tortas, bolos e biscoitos, fazem a festa da Páscoa.

Legorne – Cococodé... Cococodé... Não sabíamos de nada disso.

Joca – _ Vamos, acabem logo com essa greve. Botem seus preciosos ovos. A maioria das receitas precisa deles para ficar gostos.

Narrador – Imediatamente as galinhas se reuniram e resolveram acabar com a greve.

Carijó
Essa foi, seu coelho, uma boa explicação.
Resolvemos botar ovos e acabar com a confusão.
Essa foi, seu coelho, uma boa explicação.
Resolvemos botar ovos e acabar com a confusão.
É hora de voltar pros ninhos! Quero ver quem bota primeiro!
Somos também importantes nesta data e o ano inteiro!
É hora de voltar pros ninhos! Quero ver quem bota primeiro!
Somos também importantes nesta data e o ano inteiro!

Narrador – Polaca não esperou nem mais um minutinho. Foi a primeira.

Polaca –_ Cocococodé! Cocococodé! Aqui está a minha contribuição. Ufa!

Narrador – Naquele dia, a produção de ovos foi fantástica. E a festa da Páscoa... um sucesso!

Galo Cococoricó! Cococoricó!
PeruGlu! Glu! Glu!
Galo Cococoricó! Cococoricó!
PatoQuá! Quá! Quá!
Galo Cococoricó! Cococoricó!

Todos – 
Cococodé! Cocococdé! Cocococdé! 
Acabou-se o fuzuê! Todos nós desejamos Boa Páscoa para você!
Acabou-se o fuzuê! Todos nós desejamos Boa Páscoa para você!


Depois eu mostro a filmagem pra vocês!
Beijocas
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4 comentários:

  1. Olá, parabéns pela iniciativa!Uma gentileza sempre gera outra e assim seguimos! Vamos realizar essa peça este ano na escola e gostaria de saber como eu poderia conseguir esse CD ou uma cópia dele. Desde já obrigada!!

    :) ;) ;)

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    Respostas
    1. Olá Cássia!
      Obrigada por sua visita.
      Esse CD eu recebi junto ao material didático dele. Tente contato com a editora :)

      Este CD é parte integrante da Coleção Bem-te-li - Língua Portuguesa, de Angelina Bragança e Isabella Carpanela, Ed. FTD.

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